Conservação de Pithecopus ayeaye, espécies relacionadas e seus ecossistemas

Relatos de campo

Para realizar as viagens de campo do projeto, contamos com diversos profissionais. Cada equipe é composta por um(a) professor(a) coordenador da expedição, estagiários e estudantes da graduação e pós-graduação. 

Antes de cada expedição, estabelecemos o objetivo principal, as regiões que serão amostradas e organizamos o material de campo e de pessoal. 

Abaixo você encontra o relato de cada equipe (UFMG, UnB e UFMT) sobre algumas expedições:

Equipe UFMG

Expedição para a Serra do Cabral e Itacambira, norte de Minas Gerais

Objetivos:

(1) Amostragem de Pithecopus megacephalus nas regiões previamente pouco amostradas, Serra do Cabral e Serra de Itacambira;

(2) Obtenção de amostras de tecidos para análises genéticas populacionais;

(3) Obtenção de girinos para análises morfológicas em escalas populacionais;

Foram amostradas regiões de serra nos municípios Lassance, Várzea da Lapa, Augusto de Lima e Buenópolis. Infelizmente, não encontramos muitos pontos potenciais ao longo da serra. Em geral, a Serra do Cabral possui vertentes muito íngremes, o que não favorece a ocorrência de drenagens temporárias que acumulam água, que são ambientes típicos para reprodução das espécies do grupo. 

Já em Augusto de Lima, coletamos indivíduos adultos vocalizando em pequenos vertedouros de água, que drenavam de uma estrada de terra. Visto que a Serra do Cabral é separada da porção principal da Serra do Espinhaço e que é uma região de ocorrência de endemismo, as análises de DNA dos indivíduos amostrados serão fundamentais para compreender se há estruturação dessa população.

Na serra de Itacambira, encontramos quatro populações de P. megacephalus, incluindo registros de vocalizações e girinos. Também, obtivemos dados ambientais e de qualidade de água, utilizando sondas multiparâmetros e turbidímetro. Com os resultados da campanha, aumentaremos consideravelmente o conhecimento das populações de P. megacephalus da região setentrional da porção mineira da Serra do Espinhaço. 

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Foto: Tiago Pezzuti

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Foto: Tiago Pezzuti

Foto: Tiago Pezzuti

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Foto: Tiago Pezzuti

Equipe UnB

Expedição para Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso

Objetivos:

(1) Amostragem de Pithecopus oreades;

(2) Obtenção de amostras de tecidos para análises genéticas populacionais;

(3) Obtenção de girinos para análises morfológicas em escalas populacionais;

Os ambientes visitados eram compostos por morros rupestres não muito íngremes, com diversas áreas de drenagens no encontro de um morro com outro. Nessas encostas, ao chover, ocorre o acúmulo de água, formando poços com pouca correnteza. Esse é o ambiente ideal para reprodução de Pithecopus oreades.

 

Esse ambiente é muito sensível por se tratar de formações de topo de morro e nascentes, ambiente este que vem sendo alterado pela agricultura e soltura de gado. Com isso, há a transformação da paisagem para uma área degradada ao redor dessas drenagens, restringindo a formação natural do local e limitando a dispersão desses animais para drenagens vizinhas. Encontramos 70 indivíduos adultos e alguns girinos dentre as 46 localidades visitadas.

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Foto: Welington Coelho

Imago de P. oreades.png

Foto: Ana Prette

Foto: Ana Prette

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Foto: Ana Prette

Equipe UFMT

Expedição para o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, Poxoréu, MT-340, MT-373, MT-240, MT-130, BR-070 e região da Mata Fria

Objetivos:

(1) Amostragem de Pithecopus centralis;

(2) Obtenção de amostras de tecidos para análises genéticas populacionais;

(3) Obtenção de girinos para análises morfológicas em escalas populacionais;

Amostramos 12 localidades nessa expedição, em quatro municípios do Mato Grosso. Ao longo da viagem de campo, houveram chuvas torrenciais. Em Poxoréu, encontramos apenas girinos de Phyllomedusidae e poucos adultos. Já em Primavera do Leste, encontramos muitas áreas degradadas por atividades agrícolas e, o acesso a áreas relativamente conservadas, foi burocraticamente complicado. 

Nessas áreas, predominam cerrados sensu stricto sobre solos arenosos e os cursos d'água existentes na região tem suas cabeceiras em meio a campo úmido, com buritis esparsos ou buritizais mais densos, habitat não propício para ocorrência de P. centralis. Ao visitar o PARNA Chapada dos Guimarães, não encontramos mais indivíduos adultos e tampouco girinos, sugerindo que a estação reprodutiva da espécie na localidade-tipo já havia se encerrado no início de março. 

 

Apesar de resultados de busca um pouco frustrantes, a possibilidade de que os registros em Poxoréu sejam mesmo P. centralis pode ser testado molecularmente, devido ao fato de termos coletado um grande material de girinos. Poxoréu apresenta grandes extensões de lajedos e córregos em meio a cerrado rupestre.

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Foto: Christine Strussmann

Foto: Christine Strussmann

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Foto: Christine Strussmann

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Foto: Christine Strussmann

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