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Guia de Anfíbios do Distrito Federal-Brasil.

CURIOSIDADES DOS ANFÍBIOS

 

               Carl von Linne (Linnaeus), em 1758, escreveu a seguinte declaração sobre os anfíbios: "These foul and loathsome animals... are abborent because of their cold body, pale color, cartilaginous skeleton, filthy skin, fierce aspect, calculating eye, offensive smell, harsh voice, squalid habitation, and terrible venon; and so their creator has not exerted his power to make many of them.". Sabemos hoje que Linnaeus nada sabia sobre essa maravilhosa fauna, sua espetacular diversidade, sua importância ecológica e o fantátisco arsenal bioquímico que carregam.

             Poucas pessoas sabem a importância da anurofauna para nossa sociedade. Esses animais rodeados de mitos, crenças, "nojinho" e até mesmo pavor, são, na verdade, muito importantes para os ecossistemas e para a humanidade.

             Um dos mitos mais comuns sobre os anuros é de que os sapos esguicham veneno nos olhos das pessoas, causando cegueira. A verdade é que existe apenas uma espécie brasileira, na região amazônica (Rhaebo guttatus), capaz de jorrar voluntariamente sua secreção, mas ainda assim, não alcança longa distancia e seus efeitos são temporários (Jared et. al., 2011). 

            Todos os anuros produzem toxinas secretadas por glândulas espalhadas pelo corpo. Tais toxinas são importantes para manter sua pele úmida e protegê-los contra microorganismos e predadores. E muitas destas toxinas são utilizadas na produção de fármacos importantes para a saúde humana.

        Uma das espécies de anfíbios mais famosas por seu uso medicinal é a espécie também amazônica, Phyllomedusa bicolor, conhecida popularmente como Kambô. A toxina retirada da pele deste anuro, chamada de vacina do sapo ou Kambô,  é utilizada pelas etnias Katukina e Kaxinawá que dizem curar doenças, preguiça e acabar com a má sorte na caça (Souza et al., 2002).

        O uso medicinal dessa secreção alcançou nos últimos anos os grandes centros urbanos (Lima & Labate, 2007). Um estudo realizado no Município de Espigão do Oeste em Rondônia revelou que 52% dos usuários acredita que a "vacina do sapo" ajudou em seu problema de saúde. Apesar de várias pessoas procuraram o tratamento achando que a vacina seja eficaz contra várias enfermidades, suas propriedades medicinais ainda se encontram em estudo (Bernarde & Santos, 2009).

           No entanto, as propriedades dessa toxina ainda estão em estudo (Bernarde & Santos, 2009). A Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) proibiu, em 2004, a propaganda dessa prática com promessas de uso terapeutico. Segundo a ANVISA o site www.kambo.com.br divulgava mais de 30 benefícios do uso da substância, como o tratamentos de gastrite, depressão, hipertensão, dependência química, epilepsia, osteoporose, infertilidade e malária. 

            Algumas patentes já foram produzidas a partir da secreção da Phyllomedusa bicolor por pesquisadores estrangeiros, dentre elas a substância dermorfina, um potente analgésico, e deltorfina, que pode ser utilizada no tratamento da isquemia (http://www.amazonlink.org, 2009).

Phyllomedusa hipocondrialis